Depoimentos - Deserto de Atacama voltar para depoimentos

Luiza Schenberg

Quantas emoções vividas,  imersa na natureza esplendorosa durante essa viagem inusitada ao Deserto do Atacama e ao Salar de Yuni, durante 9 dias isolada do que conhecemos por  “civilização “.

A cada viagem me impressiono como essa vivência alarga meus horizontes, acalma minha mente, nutre minha alma e expande o meu Ser.

A vista panorâmica da janela do avião, apreciando a beleza e diversidade da geografia, me remete à pura impermanência. 

Acercando-se de Santiago, montanhas e montanhas marrons, secas, duras, imponentes, algumas com picos nevados, outras com depressões cobertas com águas azuis como as lagoas dos Lençóis Maranhenses.

No voo para Calama, o deserto marrom, plano, pouco relevo, montanhas ao longe.

Ao desembarcar, chuva relâmpago de 5 min e um belo arco-íris completo dando Boas Vindas ao iluminar nosso trajeto de uma hora até San Pedro de Atacama, vilarejo acolhedor de 5.000 habitantes, dos quais 40% nativos.

Chegar ao deserto do Atacama, na altitude de  2.438 m, completamente árido com sua coloração marrom  avermelhada, circundado pelos Andes com suas imponentes montanhas cobertas de neve, é realmente uma experiência singular.

As fotos e as palavras não dão conta de expressar o vivenciado.

Passeando pela região de carro, a paisagem desértica marrom me remeteu ao Cairo, Egito; as formações rochosas à Sedona, EUA; algumas formações calcárias e arenosas à Capadócia, Turquia, e as lagoas com montanhas refletidas aos fiordes Noruegueses.

A sensação é de que saí da Terra e vim para outro planeta.

O solo desértico me recebendo e acolhendo, os Andes ao longe me circundando e abrigando, e a Abóboda Celeste me cobrindo e protegendo.

Estou imersa numa bolha gigantesca de Natureza pura, Sol, Ar Puro, Silêncio!

Transcendental.

Durante 9 dias vi o céu todo o tempo em que estive acordada, respirei ar puro (seco), escutei os sons da natureza, me deslumbrei com a beleza das paisagens e com gradientes de cores, agora entendo como os esquimós veem cem tonalidades de branco, eu vi 100 tonalidades de marrom.

Passeios incríveis:

Vale de la Luna com formações rochosas esbranquiçadas e Vale de Marte com formações rochosas vermelhas, Cordillera de la Sal, com montanhas de sal, me senti literalmente na Lua e em Marte.

Inacreditáveis  e imensas  formações rochosas, imponentes, serenas, diversificadas na constituição e aspecto, impávidas há 45 milhões de anos!

Nossa pequenez como humanidade assombra imersa nessa beleza estonteante, circundada por picos nevados das montanhas e vulcões dos Andes.

Estar aqui com um morador conhecedor de geografia, geologia, antropologia, história e mitologia está sendo um aprendizado incrível, sobre como tudo isso se constitui desde a origem de nosso planeta e vem se transformando, o que só aprofunda meu sentimento de impermanência, reverência à beleza do Universo, e a necessidade premente da Humanidade resgatar um modo de vida integrado em parceria com  Natureza, ao invés de dominador, predatório e destrutivo...

Viajar horas pelo deserto árido, contornando o Salar de Atacama, a alegria ao ver a paisagem verdejante dos oásis assomarem e se aproximarem, me deparar com redemoinhos de terra vermelha, que num átimo me transformaram na Dorothy do Mágico de Oz... muita emoção.

Subir a cordilheira até 4.300 m de altitude e me deparar com as deslumbrantes lagoas de Miscanti e Meñiques cercadas por vulcões nevados refletidos nas águas foi demais, me remeteu ao Fiordes Noruegueses. Queria poder sentar lá e ficar o dia todo simplesmente inebriada pela paisagem, ar puro e silêncio...

Visitas aos vilarejos de Toconao e Pukara de Quitor, onde vivem comunidades locais, e às ruínas incas de Catarpe e Tulor no Vale do Jeré, me permitiram aprender sobre o passado da humanidade no local. 

Excursão pelo Salar de Atacama com paradas para banho nas lagoas Mayor (concentração de sal 100%, uma delícia boiar) e Ojos de Cejar (água doce) e finalizar assistindo ao pôr de sol na laguna Tebinquinche , que tarde inesquecível.

E finalizando com os Geisers del Tatio, na base do vulcão, a 4.320 m de altitude, espetáculo impressionante, dezenas de gêiseres onde são expelidas fumaça, lama e água fervente até 10 m de altura, me transportaram 

para a pré-história.

 

Nova etapa de aventuras: saímos de San Pedro de Atacama, 2.438m , e subimos até à fronteira da Bolívia, em Hito Cajon, 4.700 m. 

Arre! Em uma hora a temperatura cai  de 30 graus para 10 graus, ar rarefeito, difícil respirar...

A mudança na paisagem ao atravessar a fronteira é impressionante, entrando no deserto Pampa Jarras, as cores mudam para tons mais claros, e relevo montanhoso com muitas lagoas, saindo  da planície do Atacama parece que deixamos Marte e aterrissamos na Lua.

Um dia inteiro de viagem pela paisagem mutante e fascinante nos  levou ao Hotel Luna Salada (Lua Salgada), inacreditavelmente todo construído de sal, na beira do Salar de Uyuni.

Ah, o Salar... indescritível. Me senti na superfície lunar, branco, branco e mais branco, quase infinito. 

Um dia inteiro passeando, vendo a Playa Branca, as lagunas, as formações (Ojos de Sal), chegando na ilha Incahuasi, um surpreendente oásis de 12 m de altura, repleto de cactos gigantescos, há 20 dessas ilhas no Salar.

Parada no local de filmagem de Star Wars, fotos divertidas. E ao entardecer chegar na parte alagada do Salar, saímos literalmente do mundo! Caminhávamos na água salgada, girávamos 360 graus, era só água e mais água, com os reflexos do horizonte em todas as direções, mudando paulatinamente à medida que o sol se punha, meu coração acelerado de tanta emoção pela beleza e singularidade do momento...

No dia seguinte, vista a povoados locais, Colchani, Sud Lopez e San Cristobal, áreas de mineração, permitiu conhecer a vida local.

Subida ao mirante do vulcão Oilagüe, (aflitivo estar na boca do vulcão), seguimos pela paisagem do deserto Siloli, atravessando o Vale das Rocas, pedras imensas, depois por cânions de sedimentos, até chegar ao Hotel Ojo de Perdiz, cabanas de pedra no meio do deserto, onde passamos a noite a 4.600 m de altura, nossa , que difícil! 

Frio de 5 graus negativos, falta de ar, respiração ofegante, uma aventura e tanto em um dos hotéis mais altos do mundo...

Na manhã seguinte passamos  pela Laguna Colorada, repleta de lindos flamingos, pela Laguna Verde, pelos Geysers Sol de Lá Mañana, até retornar à fronteira e a San Pedro de Atacama.

Ou seja, em 9 horas fomos  de 4.600 m e 5 graus negativos para 2.400 m e 35 graus positivos, o maior choque térmico da minha vida.

Uma viagem inesquecível, sonho antigo realizado.

 

 

enviado em: 06 de Abril de 2020

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