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Em discussão, o futuro sustentável de Itacaré

Realiza-se em Itacaré, de sábado a terça-feira, o Projeto Piloto TOI – Itacaré, primeiro case da TOI (Tour Operators

Initiative – comissão de turismo sustentável da ONU) na América do Sul.

Grandes operadores do turismo europeu, membros da TOI, virão ao Brasil para participar de uma mesa redonda com toda a
comunidade turística de Itacaré. Juntos, pretendem chegar a um consenso sobre as melhores alternativas de turismo
sustentável para a região, e o que farão, na prática, para garantir a qualidade e a perenidade do produto turístico
local. Pensando nos próximos 5, 10 e 20 anos.

Trata-se de iniciativa pioneira. Reunir operadores internacionais e nacionais, hoteleiros, receptivos locais, guias,

barqueiros, capoeiristas, pescadores, transportadores, ONGs e governo para discutir o futuro de um destino, sob o
viés da sustentabilidade, é algo inédito no País – e pouco comum no mundo.

Normalmente, as discussões sobre sustentabilidade se dão em fóruns em que participam somente ONGs, pesquisadores,
estudiosos e setores do governo. O empresariado tem se mantido à margem de tais encontros. Verdade que o tema parece
muito mais apropriado para ambientalistas do que para um empresário. Parece, mas não é. Um hoteleiro, por exemplo,
que até pouco tempo pensava só no seu hotel, já percebeu que isso não é o bastante e se deu conta de que a ocupação
de seu estabelecimento está diretamente relacionada a questões aparentemente desvinculadas de seu negócio.

Itacaré passa por uma inflexão em seu ciclo de vida como produto. De onde viemos e para onde queremos ir? Esta
pergunta será a tônica central de nosso encontro. Qual é a ‘alma’ de Itacaré? Onde residem seus atributos e
diferenciais? O que a comunidade turística de Itacaré quer para o seu porvir? A partir do momento em que os
participantes destilarem, durante as discussões, o preparado fermentado local e encontrarem a ‘alma’ de Itacaré, o
que a torna única e especial, aí entrará o marketing. Paralelamente, os grupos formados no evento terão a árdua
tarefa de fazer a lição de casa, perseguindo as metas, implementando as estratégias traçadas no encontro. O prêmio,
entretanto, pode ser recompensador.

No Brasil (e no mundo) centenas de destinos competem acirradamente pelo dinheiro dos turistas, tornando-se cada vez
mais crucial entender o que faz cada destino exclusivo e único. Na medida em que nos tornarmos mais exigentes e
críticos na criação dos produtos turísticos, estaremos mais preparados para competir pelo turista global. Os
operadores internacionais da TOI vão poder ajudar muito com sua visão.

O fio condutor do encontro será a sustentabilidade. Não é artigo de luxo. É pura sobrevivência. Econômica, para os
céticos. Social, cultural, antropológica e ambiental para os já convertidos. No fundo, uma coisa só.

Quando levei aos diretores da TOI a proposta de fazer nosso quarto case internacional em Itacaré, no litoral sul da
Bahia, o que mais os entusiasmou foi a possibilidade de se atuar ‘preventivamente’ numa região e País onde as mazelas
do turismo desordenado ainda não despencaram com toda a sua fúria. Minha intuição diz que este case pode representar
um grande modelo para os demais destinos do Nordeste. Pensar globalmente e agir localmente é a melhor receita.

Até Itacaré.

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