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Perspectivas do Ecoturismo para 2006

O ano que se inicia traz grandes expectativas para o ecoturismo. Entre os fatores que podem ser citados como contribuintes para isto estão os ambientais, regulatórios, de produto e os mercadológicos.

Entre os fatores ambientais mais relevantes, está a situação preocupante da Amazônia, cuja destruição assistimos de camarote, sem enxergarmos bombeiros no palco. As constantes reportagens sobre a devastação da região a colocam sob holofotes, atraindo a atenção e preocupação dos ecoturistas mais sensíveis. Junto com a Amazônia, o cerrado, magnífico ilustre desconhecido da maioria dos turistas brasileiros, certamente ganhará destaque este ano, infelizmente a partir de mais notícia ruim – a pressão de produtores rurais por mais terra virgem para suas plantações e pastagens, no caso, os parques nacionais e estaduais do centro-oeste brasileiro. Apesar de não mais tão simples como outrora, ainda é relativamente fácil a uma assembléia legislativa estadual desfazer a criação de um parque estadual. O efeito colateral positivo destas ameaças é a divulgação que vem a reboque, trazendo à atenção do ecoturista e da sociedade, a existência destes monumentos naturais.

Notícias boas também existem, e dentre estas, na área de regulamentação, está a criação do Parque Nacional da Chapada das Mesas, decidida em dezembro último. Os ecoturistas terão agora a oportunidade de desfrutar de dois grandes ícones naturais no Maranhão, os recentemente conhecidos Lençóis Maranhenses e agora a Chapada das Mesas.

Em termos de produto o ano começa com o recém-criado ecoresort no alto da Serra Catarinense, na região de Urubici, pondo as belezas de canyons, cachoeiras e planaltos ao alcance do ecoturista de carteirinha e mesmo ao turista de exploração que viaja na região de Florianópolis. Marca-se um ponto para a Serra do Mar, e sua protegida e desconhecida porção catarinense, o Parque Estadual do Tabuleiro.

Em termos de Mata Atlântica o ano promete mais. O Worldecotur 2006, evento de grife que acontece em Ubatuba em agosto, promete trazer as melhores experiências em gerenciamento privado de áreas de Mata Atlântica com potencial turístico, para que possam ser replicadas em diversas regiões de serra do mar no país, e com isso aumentar significativamente a criação de produtos ecoturísticos de Mata Atlântica.

O ano também acompanhará com atenção o desenrolar das ações de turismo responsável em Itacaré, Bahia, que ganharam estofo com a vinda dos operadores e diretores da TOI (ONU) em novembro passado, elegendo e prestigiando Itacaré como seu case de turismo sustentável no Brasil. 

Do ponto de vista regulatório, fortalece-se no país o conceito de certificação e de melhores práticas. O PCTS, Programa de Certificação de Turismo Sustentável, lentamente ganha musculatura e vai levando seus procedimentos Brasil adentro, inicialmente com alguns destinos pré-selecionados, para nos próximos anos se espalhar Brasil afora, multiplicando seus ensinamentos através de rede de facilitadores e consultores. Com isso ganham muito os turistas, pelo aumento da qualidade do produto turístico, as estruturais turísticas locais, pela sua profissionalização, e o Brasil, em seu esforço para atrair mais turistas estrangeiros, os quais, observando mais qualidade e profissionalismo nos destinos, passarão a confiar mais e naturalmente, desembarcar mais por aqui. 

O ano também assistirá ao crescimento dos nichos dentro do ecoturismo que, cada vez mais, se desmembrarão do segmento-mãe. Assim ouviremos cada vez mais falar de voluntariado no turismo, turismo de observação animal, ecoturismo para a terceira idade, turismo de auto-conhecimento, dentre outros, cada qual para a sua crescente tribo. 

Do ponto de vista do turismo internacional, estaremos vivendo a primeira onda do ecoturismo no Brasil, a qual deverá perdurar até 2010. Neste cenário é que entram os investimentos hoteleiros internacionais na Amazônia, onde algumas redes devem começar a inaugurar empreendimentos já em 2007.

Tais investimentos são vistos com bons olhos, mesmo do ponto de vista ambiental, desde que os projetos sejam fracionados em unidades com não mais de 60 aptos, para resguardar a qualidade da experiência para o ecoturista e desconcentrar os impactos ambientais. O saldo ambientalmente positivo destes projetos deve-se à sua capacidade intimidatória (aos devastadores), ao efeito educativo da experiência, sobre os turistas e ao caráter modelar, sobre a indústria do turismo, como exemplos de desenvolvimento sustentável para a região.

Enfim, o ano promete.

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