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Viaje para o México - Dicas, sagrado, morte e espiritualidade

Viajar para o México é mais do que conhecer um novo país. É uma passagem para o além da morte, um embarque para descobrir múltiplas culturas preservadas pelo sincretismo com o catolicismo, a gastronomia única e sítios arqueológicos impressionantes.

 

O México é um país, assim como o Brasil, de grande diversidade cultural. Diferentes civilizações, além da colonização majoritária espanhola, que forma a identidade mexicana.

Além disso, há uma pluralidade natural incrível. Praias paradisíacas, florestas tropicais, cachoeiras incríveis, desertos áridos, montanhas nevadas e muita biodiversidade.

Sim, as praias são incríveis e conhecer Cancun, que é um dos melhores destinos caribenhos é imperdível. Mas ir para o México é sobretudo uma viagem cultural, que revela muitos mistérios, sítios arqueológicos e espiritualidade.

 

Como ir para o México?

A principal porta de entrada para o México é o Aeroporto Internacional Benito Juárez, localizado na Cidade do México. Está a apenas 5 quilômetros da megalópole americana e é o mais movimentado aeroporto da América Latina. Com uma infraestrutura incrível de restaurantes, hotéis, dentre outros serviços.

Existem voos frequentes operados pelas companhias aéreas Gol, Latam, Copa Airlines e principalmente a Aeroméxico. Também é possível encontrar outras companhias como a United Airlines e American Airlines, mas é provável que façam paradas nos EUA. 

Os voos mais comuns partem do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Caso o seu destino final seja Cancun, a companhia Gol faz o trajeto direto de Brasília. O mais importante é pesquisar, conferir os horários e comparar se são vôos diretos, com escalas ou conexões.

 

Qual a melhor época para viajar para o México?

Qual a melhor época para viajar para um país enorme? É tudo muito relativo e você pode se organizar de acordo com o objetivo da viagem. Isso porque, no México há uma variedade enorme de climas. Mas vamos para algumas dicas essenciais.

Para regiões litorâneas como Cancun, a alta temporada é de dezembro a fevereiro e no mês de julho. Similar ao litoral do Brasil. Você irá encontrar mais agito, lugares mais cheios e preços possivelmente mais altos. 

No Caribe chove muito, principalmente entre os meses de setembro e outubro, quando inclusive podem ocorrer mais furacões. O mês de junho também costuma ser chuvoso.

Para a Cidade do México e arredores, a dica para fugir das chuvas é evitar viajar de meados de junho até meados de setembro, quando ocorre o verão mexicano.

No restante dos meses, as temperaturas amenas permanecem em boa parte das regiões turísticas. Para uma experiência ainda mais inesquecível da cultura mexicana, a dica é viajar em novembro, no feriado de Finados, quando ocorre o Día de Los Muertos.

Gastronomia Mexicana, uma experiência inesquecível

Quem não gosta de saborear uma comida mexicana? Guacamole, nachos, burrito, pimenta… A gastronomia do México é repleta de sabor e toques apimentados especiais.

Foi o primeiro país reconhecido pela Unesco com a gastronomia como Patrimônio Imaterial da Humanidade, devido às suas origens ancestrais milenares ainda vivas.Há toda uma integração entre a agricultura, a colheita, os saberes, as receitas e as invenções a partir de ingredientes básicos como milho, feijão, abacate e pimenta.

Viajar para lá é uma oportunidade única para provar alguns dos pratos mundialmente conhecidos direto da sua verdadeira origem. Há diversos tipos de massas feitas de milho, que vieram das famosas tortillas, como os tacos, tamales, nachos e burritos. Há várias formas de provar o milho mexicano.

As carnes são diversas e vem nos recheios de vários dos pratos. E é no México que a disputa entre amar e odiar coentro vai tornar vitoriosos os amantes do tempero. Por falar em tempero, as pimentas são imperdíveis e se você também gosta de uma ardência, vai adorar os pratos do México.

 


 

As civilizações do México antes da colonização

 

Falar sobre o México é mergulhar na história de diversas civilizações, que passaram por um mesmo território. Cada uma, deixou a sua própria sabedoria, crenças, ritos, arquitetura e cultura. 

Toda essa diversidade reflete-se também em sua própria geografia, sendo que, ao Norte, podemos encontrar um clima mais desértico, com uma vegetação xerófila, ou seja, que se adapta a aridez. Já ao Sul, em contraste, encontra-se um clima todo tropical, com uma vegetação bem mais úmida.

Não é à toa que o México é considerado um dos países com a maior riqueza cultural, gastronômica e natural do mundo, além da sua forte conexão ancestral e religiosa.

Desde a chegada dos primeiro humanos ao México, muitas civilizações indígenas foram se desenvolvendo, algumas delas, um pouco mais complexas, mas talvez seja pelo tanto de novos saberes e informações que elas agregaram a toda história do país. 

Houve muitas invenções e criações, principalmente no ramo da astronomia, escrita, medicina, da arte, monumentos, templos, e centros cerimoniais. 

A Civilização Olmeca

A primeira grande civilização do México, os que plantaram raízes profundas para os que viriam depois, dentre seus desenvolvimentos, está: 

O “Jogo de Bola”, um tipo de campo onde aconteciam jogos com bolas feitas de borracha, e com base em outros materiais que foram encontrados no local, acredita-se que essas atividades estavam conectadas com rituais religiosos.

Os Sacrifícios humanos era algo que fazia parte das cerimônias dos Olmecas, eles ofereciam o sangue, crânios, fêmures, e até mesmo esqueletos de recém-nascidos para suas divindades. 

A escrita Olmeca foi uma das primeiras a ser desenvolvida no hemisfério ocidental, muito do que foi encontrado, mostra que os símbolos faziam parte da comunicação entre eles. 

A “Invenção do zero e o “Calendário Mesoamericano” foram utilizados por várias civilizações, elas são ainda mais antigas do que os Maias. Acredita-se que ambas são criações dos Olmecas.  

 

A Civilização Teotihuacan

Um povo que se desenvolveu em Teotihuacan, um centro urbano da Mesoamérica, na Bacia do México. Eles começaram a se desenvolver, logo após o enfraquecimento dos Olmecas. 

Uma civilização que fez uma transformação no poder político e econômico da cidade, além de toda a parte cultural e artística. Muito desse crescimento se desenrolou com a exploração do mineral obsidiana, o qual era comercializado e vendido para as comunidades vizinhas. 

A arquitetura da cidade é conhecida até hoje, pelos seus monumentos e templos em formato de pirâmides, como a do Sol e a da Lua. Local onde aconteciam as suas cerimônias, as quais muitas vezes resultavam em sacrifícios de animais e humanos.

Dentre as suas divindades, a mais importante era uma mulher, a deusa Aranha. Ainda assim, eles tinham muitos deuses, cada um sendo convocado para diferentes áreas da vida. 

Os Teatihuacan eram muito habilidosos com as mãos, desde as suas enormes construções, até as suas delicadas obras de cerâmicas.   

 

A Civilização Maia

Formada por trabalhadores urbanos, camponeses, artesãos, os sacerdotes, comandantes militares, funcionários do império, e os nobres. 

A escrita era baseada em símbolos e desenhos,  as quais eram utilizadas para todos os tipos de anotações. Eles criaram também um calendário baseado na Lua, e calculavam o tempo conforme a posição do planeta Vênus.

Os Maias desenvolveram uma forte conexão com a astrologia, utilizavam os topos das montanhas e as pirâmides para estudo sobre o céu, e o cosmo. 

Um povo de muita força e resistência, e que ainda sobrevive nos dias atuais, com as suas crenças e costumes. Vivem hoje em dia em um número bem considerável, e ainda habitam os mesmos locais dos antigos ancestrais. 

 

A Civilização Tolteca

Foi um povo muito sábio, inteligente e pacífico, muitos deles vieram do deserto do norte. Criadores das gigantes esculturas com formatos de cabeças, e feitas de pedras. Eles inventaram a arte da medicina, a contagem dos anos, e eram artistas incríveis.

Os Toltecas tinham 4 principios, sendo eles: 

  • Honre sua palavra, ou seja, se você falar algo, cumpra.

  • Não leve nada para o lado pessoal, ou seja, não absorva tudo o que os outros dizem para você.

  • Não faça suposições, ou seja, não sofra por problemas inexistentes. 

  • Faça sempre o máximo que você pode, ou seja, seja a melhor versão de você mesmo. 

Acreditavam também na responsabilidade do próprio homem, com o auxílio dos deuses, de criar e movimentar a vida, caso contrário, tudo pararia. Sabiam que para tudo funcionar era necessário esforço, não esperavam e dependiam da fé nos deuses.

Civilização Mexica (Asteca)

Derivou de outras civilizações, como por exemplo, os Toltecas, e foram os que deram origem a muito do que é o México de hoje em dia.

E isso porque, esse povo teve uma visão sobre o local em que teriam de formar um império, a imagem e simbologia de uma ave comendo uma serpente, seria o sinal do bom lugar a ser construído essa cidade, a qual mais tarde foi erguida por eles, em cima de um lago. 

Os astecas eram bem militares, tinham um posicionamento forte e direto, dominaram os povos da região, e se lançaram mesclando política com religião, utilizando da teocracia. 

Eram muito espertos, como não tinham terra para o plantio, desenvolveram um sistema de ilhas artificiais sobre a água para o cultivo da agricultura, o que pode ser chamado de “chinampas”.

As crenças deles consistiam em que o mundo só ficava equilibrado, porque os deuses queriam, e para esses deuses manterem todo o equilíbrio, os humanos precisavam fazer sacrifícios, o que resultava em muitas mortes, não só de animais, mas principalmente de humanos. 

Muitas vezes pegavam os guerreiros de tribos inimigas, tiravam os seus corações e levavam para o topo das pirâmides, onde deixavam o sangue escorrer, em forma de cerimônia e ritual para os deuses. 

A marca que os Mexicas deixaram foi muito grande, inclusive sobre o olhar diferencial que existe sobre a morte na cultura mexicana. Contribuíram de diferentes formas, para tudo o que o México é hoje. 

 

A peculiar religião no México

Para falar sobre a questão religiosa do México, é preciso olhar para dois tempos diferentes, que deixaram um grande marco, no que se vive por lá nos dias de hoje. 

Desde a chegada e dominação dos espanhóis, em 1519, muito do que se era vivido pelos habitantes indígenas das diferentes civilizações mexicanas, foi se perdendo. 

E isso porque o líder e conquistador espanhol Hernán Cortés, começou a introduzir o catolicismo para toda a população, logo após a destruição do Império Asteca. Antes disso, cada civilização seguia as suas próprias crenças. 

Os Olmecas - não se sabe até hoje qual a definição exata da religião dessa tribo, mas as suas obras trazem grandes representações de suas divindades andróginas. Como por exemplo a serpente emplumada, ou o espírito da chuva, trazendo sempre alguma representação da natureza. Seus rezos eram feitos também em forma de oferenda. 

Os Maias - acreditavam em três planos principais, sendo eles, o céu, a Terra, e o submundo. As suas cerimônias, e os seus rituais eram baseados nos ciclos terrestres e celestiais, como nas fases da lua e da agricultura. Eles não acreditavam na separação do bem e do mal, e nem na adoração de um só Deus, eles tinham vários deuses, e cada um era consagrado dependendo da época e da situação.

Os Mexicas (Astecas) - tinham características politeístas, os animais e os elementos da natureza eram a base da religião, assim como na representação de seus deuses. Os cultos estavam sempre ligados aos seus templos, que inclusive traziam uma certa complexidade, feitos de blocos de pedra, sempre trazendo diferentes formas geométricas, como por exemplo as pirâmides do Sol e da Lua, onde ocorriam várias cerimônias de sacrifícios. 

Para eles, o sangue era a oferenda principal aos deuses. E eram fonte de vida para todos. 

Hoje em dia, o México é o segundo país com mais católicos do mundo. Apesar disso, o sincretismo é muito perceptível na cultura mexicana. A própria padroeira, Nossa Senhora de Guadalupe, traz muitas semelhanças com a deusa Tonantzin.

E o maior exemplo de tradição católica forte na América, com traço da verdadeira cultura americana, que originou tradições com o Dia de los Muertos...

 

Día de Los Muertos - O Dia dos Mortos no México

O famoso Dia dos Mortos no México, acontece no período que vai de 31 de outubro a 2 de novembro, data em que ocorre o “ Dia de Finados ” no Brasil. A grande diferença é o olhar que existe por detrás dessa data. 

Para os mexicanos, esse é um dia muito esperado, de muita festa e alegria. E isso porque, para eles, a morte é vista apenas como uma passagem, fazendo parte de um grande ciclo.

Neste dia, conta-se que o véu que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, cai, e aqueles que já partiram, voltam aos seus lares para um momento de reconexão com a família.

Há uma grande dedicação e preparação para recebê-los, altares são montados com muito carinho, são colocadas as fotos dos seus entes queridos, sempre ao centro do altar.Para cada um deles é colocado algumas oferendas, como comidas, objetos, caveiras, muitas flores e cores.

Além de tudo, é preciso incorporar a força dos quatro elementos da natureza no altar, como os copos que ficam preenchidos com água, as frutas em representação da terra, imagens e fotos em papéis que ficam expostas ao vento, e as diversas velas para trazer a energia do fogo. 

A festa do Dia dos Mortos já ficou tão conhecida, que se tornou um Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Uma celebração que se inicia dentro de casa, e vai até as ruas.

https://www.youtube.com/watch?v=KVX5lSysx-w 

As pessoas nas ruas usam diversas fantasias, dentre elas, a caveira, que se tornou a personagem principal desta história. Eles também fazem concursos para brincar de quem está melhor vestido.

Comidas e bebidas típicas são preparadas, e decoradas, assim como as diversas atrações de teatro e dança que são apresentadas pelos lugares.  

E se tem um lugar que não passa em branco para eles, são os cemitérios, que ficam inclusive lotados durante esses dias. Os túmulos são todos decorados, as velas trazem luz para o espaço, e a música sempre presente para completar o ambiente.

Se tem algo que o México pode nos ensinar muito bem, é sobre encarar a morte com mais humor e amor, pois ela é um dos únicos momentos que todos nós humanos, iremos presenciar. 

  

Viaje com a Freeway para o México

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