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A bomba etílica – yes, nós temos a nossa bomba atômica

35000 pessoas morrem anualmente vítimas do trânsito no pais. Em 80% dos casos o álcool foi a principal causa. Ou seja, 28.000 pessoas morrem por ano no Brasil por acidentes causados pela bebida. Motoristas com dosagem alcoólica  acima do permitido percorrem dia e noite nossas estradas, de sul a norte do país. Bares e restaurantes de beira de estrada vendem livremente o passaporte para a desgraca. Algo próximo do criminoso.

Seja sincero - você aceitaria embarcar num avião pilotado por um comandante turbinado por doses de uísque ?
Então como é que aceita embarcar numa viagem rodoviária aonde o caminhoneiro que vem no sentido oposto    acabou de tomar uma cerveja ? Ou onde o Gol do jovem que corta a pista abruptamente acaba de sair de uma balada regada a música e álcool ? A roleta pode não ser russa, mas mesmo sendo brasileira a aposta é assustadora.

Fui guia de ecoturismo muitos anos. Ficava junto ao motorista na cabine, com o olho pregado na estrada, e um medo danado daquele caminhão em sentido contrário, sim, aquele mesmo,  onde o motorista  poderia estar calibrado por aditivos indesejáveis, capaz de fazer com que nossa viagem  acabasse ali mesmo, para sempre.

Bem, creio que consegui convencer o nobre leitor. 
Como devemos então proceder ?
Como devemos fazer para que nossos filhos não embarquem em viagens sem volta ?
A primeira solução é clara como o cristal.
Abolir a propaganda do álcool na televisão.
Pois a propaganda glamouriza, e com isso induz e estimula o consumo do álcool.

Cabe à sociedade, ao congresso, aos pais de família, apoiar a cruzada que o ministro da Saúde, Temporão, está fazendo, para banir a propaganda do álcool da TV.

Cabe à sociedade fazer junto ao congresso o lobby contrário ao da perniciosa indústria do álcool. Enviando emails para os senadores e deputados ( senado.gov.br e camara.gov.br ), e instando-se a votar as leis que proíbam a propaganda do álcool na TV, e que proíbam definitivamente a venda do álcool em qualquer estrada do país.

Assim como já existe uma legislação para punir os maus motoristas, a qual , com seu sistema de pontos, se mostrou bastante eficiente,  da mesma forma é possível punir com rigor a venda do álcool nas estradas. 

Cabe até à indústria automobilística assumir sua co-responsabilidade e se envolver no dirigir seguro.
Quem sabe, instalando nos carros bafômetros que impeçam a partida do veiculo se o condutor tiver bebido. Tenho certeza que muito pai, muita mãe,  pagaria o extra para dormirem mais sossegados.

Queremos um país e uma sociedade mais saudáveis, mais vivos, em todos os sentidos, e o álcool não faz parte de nenhum desses cenários.

Importante: não é moralismo. É questão de saúde, é questão de vidas perdidas. Não estamos propondo o fim do consumo do álcool.  Queremos sim é banir o estimulo a esse consumo.

Do ponto de vista econômico, tudo o que a indústria de bebidas alcoólicas perder em termos de receita, o Brasil ganhará com a redução de despesas no sistema de saúde e da previdência.
São milhões de atendimentos anuais congestionando o sistema de saúde por doenças causados pelo álcool.
Fora isso há a produtividade que a economia brasileira ganhará, com menor absenteísmo, menos doenças funcionais, maior eficiência e qualidade no trabalho.

Vou lhes passar um numero estarrecedor.  O álcool causa um total de 60.000 mortes ao ano no Brasil. É quase igual ao número de mortos em Hiroshima, causados pela bomba atômica. Todos os anos.   
É a nossa bomba etílica, muito pior  que a bomba atômica.

É um número igual ao dos soldados que os americanos perderam no Vietnã ao longo de toda a guerra.

E tem mais. Menos álcool, mais lucidez, mais comprometimento cidadão, menos apatia. 
Ponto para o Temporão ao reivindicar que artistas não façam apologia do  álcool. Que os artistas se unam nessa batalha. E se neguem a dar maus exemplos.

Vamos todos juntos encampar esse movimento silencioso.  Sugiro que as indústrias de bebidas busquem diversificar sua linha de produtos, como já fez a indústria do tabaco há muitos anos, quando começou a buscar alternativas e passou a investir na alimentação. Ou como está fazendo a Coca Cola, ao atuar na linha de sucos naturais.
Que se busquem  alternativas !

Com o nível de avanço que a sociedade experimentou, com as descobertas da medicina, é impensável e indefensável continuar estimulando nossa população a beber.  É inadmissível. para quem tem um mínimo de amor ao próximo, um mínimo de cidadania, permitir que tal desserviço continue. Sem radicalismos, não propomos que se cerceie o direito de beber. Mas defendemos com determinação o fim da propaganda do álcool na TV. Com certeza muitas vidas adolescentes viverão para alegrar seus pais, e muitas famílias terão seus entes queridos por muito e muito tempo. Nosso sistema de saúde ficará mais desafogado, poupando gastos absolutamente evitáveis, e redirecionando  os recursos para melhorar o atendimento da população.

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