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O ecoturismo e a acessibilidade – palcos e atores para as mudanças

E notório o despreparo da indústria do turismo brasileiro para receber com qualidade as pessoas com deficiência física. 

Seria surpresa se fosse diferente dado o estágio desta indústria no Brasil, tão jovem. 

Recentemente tem crescido as iniciativas para debater o assunto, e a inserção deste nicho de pessoas no processo turístico. Muito positivo. 

Para o êxito destas e de outras iniciativas há que se trabalhar conjuntamente nas três esferas da sociedade. Pública, privada e terceiro setor.

Um saudável efeito colateral de se trabalhar esse mercado reside no efeito benchmarking do processo, por propiciar uma mudança de visão aos atores do turismo, puxando os padrões de qualidade de serviços para o alto. 
Com isso ganham todos, os profissionais, os turistas, e o Brasil, ao ver elevar-se o padrão de serviços, e o profissionalismo,  nesta indústria. 

Cabe aqui uma reflexão bem pertinente. Tratando distintamente dois grandes segmentos do turismo. O tradicional turismo de cidades e o mais recente e moderno ecoturismo.
Os dois grupos apresentam diferenças conceituais e operacionais importantes, desde a hotelaria, os transportes, a logística como um todo e as pessoas que trabalha nos dois segmentos,  entre eles guias, monitores, motoristas, barqueiros, receptivos locais, entre outros. 

E nítida a diferença no comportamento e na visão das pessoas que trabalham para esses dois segmentos. 

É característica dos profissionais do segundo grupo, o do ecoturismo, a adaptabilidade, a flexibilidade, a visão individual do ecoturista, do cliente, e a ênfase nas sensações ao invés do onipresente consumo.

No ecoturismo a tecnologia é bem vinda, mas mais como serva da experiência humana e menos como senhora.

O ecoturista apresenta um desejo e comportamento diferentes do turista de cidades. Ele busca uma viagem mais significativa, contato estreito com a gente da localidade, criação de vínculos, marcar sua presença com contribuições para a preservação, deixar sementes.

Isso nos leva a um raciocínio inteligente.  A acessibilidade no turismo poderá ser trabalhada com muito mais eficiência, com resultados de curto prazo, nos destinos de ecoturismo do que nas grandes cidades. 

A preparação do turismo brasileiro para receber as pessoas com deficiências  poderá se beneficiar do preparo,  experiência  e dedicação dos guias de ecoturismo na condução e no cuidado com os ecoturistas. No ecoturismo a diferenciação e individualização das pessoas são a regra. Já existe a cultura do atendimento à necessidade particular. Mesmo porque os grupos são sempre pequenos.  

A experiência da Freeway com a capacitação de Itacaré, como um dos benchmarkings na preparação de destinos para a recepção das pessoas com deficiência mostra-nos o acerto deste pensamento. 
Ali, sem carros ou calcadas adaptadas, a disponibilidade, devoção e amor demonstrados pelos guias para fazer dos dias destas pessoas especiais experiências únicas em suas vidas, são o melhor modelo e ponto de partida para a transformação do Brasil num grande destino acessível. E tudo começa com a mente e o coração. 

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