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Fogão à Lenha

Enio e Gasparina. Pousadeiros, gente da roca, que vivem e muito bem recebem em sua simples fazendinha no Vale do Céu, em São João Batista do Glória. Região de Passos, Minas.  Como moldura, as belas montanhas da Serra da Babilônia. Os turistas se hospedam em sua casa simples de fazenda, em quartos ao lado da cozinha. Diferencial: o “ao lado da cozinha”. De onde começa a sair um cheiro de pão de queijo assando, às 6 horas da manha. Ninguém consegue dormir mais. Impagável.

Luciano e Karime, Fazenda do Conde, altos da Serra da Bocaina. Acesso só em 4 x 4 a partir da lobatiana Areias, no Vale do Paraíba. Pérola perdida nos campos de altitude da Bocaina, a 1700m de altitude cheirosa e fresca, entre o nada, o ninguém, só a idílica paisagem, as cachoeiras, os gramados, a mata, a sauna de lenha, os gansos e as montanhas ao longe. Parece um conto de Grimm.

Karime espera em pé na varanda do velho casarão, chapéu de fazendeira sobre as tranças e sorriso nos belos lábios para receber o grupo capitaneado pelo marido. Que  chega em rurais Willys, depois de duas horas de sacolejo, serra acima.

Os travesseiros nos quartos simples com beliches são de macela perfumada. A toalha sobre a cama, ensacadinha, lavada em Cruzeiro, cheirosa.  O banheiro é no corredor. E tem fila.

Comemos na cozinha, servindo-nos no fogão à lenha. Ceias regadas a muita conversa nas mesas coletivas. Onde as panelas, penduradas, brilham de tão areadas.

À tarde o café fumegante com bolo e pão caseiro com manteiga da roça esperam-nos cansados, na volta dos passeios, na varanda do casarão. 

Após o banho quente no frio das alturas, jantar campeiro, delicioso, com muito falatório movido a pinga da roca e vinho. O programa noturno acontece defronte à lareira da sala centenária.  Seu ponto alto são os causos do Luciano. Muitas risadas. Alguém começa e em instantes estamos fazendo massagens uns nos outros.  Até o último fio de fogo.

 

Fora, as noites bonitas são fortemente estreladas. Promovendo uma comunhão intensa homem – universo. O silêncio é universal.

Luciano e Karime são a alma do local. Desde que, mocinhos, para cá subiam a cavalo, sem estrada, nas férias, para namorar. Tempos em que os recados eram passados serra acima pelas rádios da região.

Sua Fazenda do Conde não está no Guia 4 Rodas.  

O casal não cursou Anhembi, USP Leste nem A & B, mas o seu A é o mais gostoso que conheço. Luciano e Karime, Enio e Gasparina representam a essência de um turismo autêntico e de alta qualidade no Brasil. No fundo, a melhor cara do Brasil.

A sauna de Luciano também não consta nos guias de spas. Mas o barulhinho do rio que passa por debaixo é único.

Eles entendem algo que chamamos de hospitalidade luminosa. Proporcionam-nos verdadeiras experiências. Em que nos sentimos protagonistas de um enredo feliz. Onde a nossa respiração entra em sintonia com a da natureza e a nossa freqüência cardíaca baixa para níveis próximos aos da Terra. Paz. Harmonia.

 

Nosso Brasil possui muitos Lucianos e Enios escondidos por recantos insuspeitados. Descobri-los é um prazer. Difundir seu néctar um desafio e trabalho para nós profissionais da área.  

Seu maior ensinamento é mostrar que podemos pensar grande mas agir pequeno. E nos induzir a imaginar que podemos, se quisermos, adicionar a alma local, da gente local, da história e de suas histórias em qualquer iniciativa de hospedagem. Até nos resorts.

Quem está fazendo a lição de casa?

Em alta: Os hotéis que, antenados com uma grande tendência da sociedade urbana, de famílias reduzidas, e animais como membros da família, tem criado maneiras de também receber os bichinhos.   

 Em baixa: Os hotéis que não permitem a seus funcionários usufruírem de programas de lazer, relaxamento e bem estar, somente direcionados a clientes.

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