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Instituto Inhotim, em Minas Gerais, integra arte à natureza e surpreende visitantes com experiência sensorial única

MARCEL VINCENTI
Colaboração para o UOL, de Brumadinho (MG)

Assim como as 500 obras de arte contemporânea de seu acervo, o Instituto Inhotim transcende a qualquer tipo de definição. Localizado em uma área verde de 100 hectares na cidade de Brumadinho (MG), a 60 quilômetros de Belo Horizonte, o lugar não é um museu, apesar de ser a arte o que move as suas engrenagens. Tampouco é só um jardim botânico, embora exista, entre suas alamedas e viveiros, mais de 4.500 plantas, árvores e flores provenientes de todo o mundo. E seria leviano dizer que o local é apenas uma junção das duas coisas.

O Inhotim, como gostam de destacar seus gestores, é mais do que tudo isso: "somos um espaço aonde as pessoas vêm ter experiências especiais, que ultrapassam o ato de admirar um quadro ou entrar em contato com a natureza", diz o diretor da instituição, Júlio Pires. "Aqui o público ganha novas perspectivas artísticas, ambientais e de convivência, e aprende a ver arte de outra forma".

O instituto abriu suas portas para o público em 2004 e, desde então, já recebeu a visita de mais de 500 mil pessoas. Seu projeto paisagístico teve o toque de Roberto Burle Marx e, ao redor de suas trilhas e lagos, encontram-se uma das maiores coleções de palmeiras do mundo (cerca de 1500 espécies) e o maior acervo de aráceas do Hemisfério Sul (mais de 450 espécies), além de espaços que recriam os ambientes da floresta amazônica e da mata atlântica.

Tal natureza é cenário e parte integrante das cinco centenas de obras que estão espalhadas - ao ar livre e em galerias - pelo espaço do instituto. Extremamente visuais, mas também sonoros, táteis e olfativos, os trabalhos são assinados por artistas de mais de 100 nacionalidades, como o estadunidense Chris Burden, o tailandês Navin Rawanchaikul, a japonesa Yayoy Kusama e os brasileiros Hélio Oiticica, Tunga e Cildo Meireles.

Muitas das obras foram erguidas a partir o método site-specific, em que o trabalho do artista dialoga com o cenário que o cerca. E o resultado não poderia ser melhor: visitar o Inhotim tornou-se um passeio palatável para idosos, adultos e crianças, que, enquanto caminham dentro de edifícios de arquitetura arrojada ou interagem com construções espelhadas, também podem admirar um lago cheio de cisnes ou famílias de árvores com mais de 30 metros de altura.

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