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O turismo e a paz – uma indústria de 15 bilhões de apertos de mão

Onde estão os negócios para a paz?

Para a guerra nós sabemos muito bem, disse-me minha nova amiga Elisa Guerra, ex- presidente  da BPW, Business Professional Women, que acaba de voltar de um evento da ONU.

Onde esta a indústria para a paz? Quais são suas fabricas, redes de varejo, oficinas, sindicatos ?

Quanto essa indústria fatura por ano ? A da guerra nós sabemos. Basta ler um War Production Report, uma Weapons and Business, ou acompanhar os relatórios do Pentágono americano.

A indústria para a paz e o entendimento entre as nações chama-se turismo.

Um hotel, ou uma casa de hospitalidade, foram criados para bem receber. Para acolher. Para promover encontros. Incontáveis acordos de paz.

A indústria do turismo promove 750  milhões de viagens inter-paises por ano, além de alguns bilhões de viagens domesticas.

São 750 milhões de pessoas circulando e apertando as mãos de pessoas. Se cada um desses viajantes apertar as mãos de 10 pessoas durante sua viagem, serão 7,5 bilhões  de apertos de mao. Considerando o outro, o da mao apertada, serão 15 bilhões de pessoas se apertando as mãos. Mãos de pessoas de locais diferentes, de culturas diferentes.

15 bilhões de apertos de mao.  15 bilhões de sinais de  paz. De atualizadas versões do cachimbo dos indígenas norte-americanos. Entre pessoas de culturas e tradições diferentes, que estarão aprendendo a cada novo aperto de mao.

São 15 bilhões de chances de conhecer o outro, de compreender seu modo de pensar, de entender seu modo de vida, de respeitar suas tradições. De  amar seu semelhante, crescendo e se enriquecendo  nesta troca. De criar  vínculos, seja de que tamanho ou forma forem.

Já que o turismo, a hotelaria, são a indústria da paz, cabe a criação do cargo de Gerente de Entendimento, Gerente de Compreensão, ou Gerente da Paz. Ou, que os hotéis dediquem um por cento do seu tempo de reuniões para discutirem como seu estabelecimento pode e deve contribuir para ser um estabelecimento para a paz. De entendimento entre pessoas,  povos e países. Os olhos de minha amiga Golda  brilham quando ele conta como trouxe monges, pastores e dignitários de outras crenças para criarem eventos em seu hotel. Golda é uma hoteleira que gosta de construir pontes.

É a paz e o entendimento servindo como matéria prima de primeira ordem nos negócios do turismo. 

Quando um jovem vai estudar hospitalidade ou turismo, ele quer ser hospitaleiro, conhecer e entender os povos e as nações, aprender, saciar sua curiosidade pelo universo, e ser uma ponte para irradiar a paz.

As empresas hoteleiras  supostamente acham que negócios são negócios e a única linguagem entendida são room-nights, ocupação, valor da diária, preço net, margem, etc…

Esqueceram-se do por que as pessoas originalmente as procuram. O que as fazem cruzar países e oceanos. Buscando o que?  O que buscam os turistas?

Na essência os turistas buscam paz.  Harmonia. Compreensão. Beleza. Fumaça branca.

E como podem as empresas hoteleiras atuar?

Promovendo  mais e mais o entendimento, a compreensão e a paz  entre hospedes e funcionários, entre hospedes e hospedes, entre hospedes e comunidade local e entre funcionários e comunidade local.

Internacionalmente cada turista deve levar em sua bagagem mais um passaporte. Este,  invisível, emitido pela ONU.  Diplomático. Que lhe outorga o posto honorário, temporário, de embaixador da paz. Com os deveres inerentes a função. O de promover a paz e o entendimento entre os homens por onde passar.

Nos brasileiros sabemos muito bem o que isso significa. Somos um povo naturalmente amante da paz.

Se ao Brasil couber uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, e se a organização passar pelas necessárias reformas e atualizações, poderia ser criado um posto, o do pais-mediador. E a este posto o Brasil concorreria com fortes credenciais.

Quando um viajante entra em contato com a comunidade de Marcelino, nos Lençóis Maranhenses ele esta realizando um ato pela paz. Pelo entendimento. Pela compreensão. É um mini Tratado de Paz.

15 bilhões de pessoas podem estar assinando tratados de paz todos os dias. Isto não e formidável ?

Que outra indústria tem tanta chance de propiciar a interação cara a cara das pessoas, sua integração, e por conseqüência, a paz entre os seres humanos?

Ao lado da Internet, outra grande ferramenta da paz, só que sem contato pessoal, o turismo e a maior ferramenta que o planeta tem  para promover a paz.

Saibamos usá-la ao maximo.  Criemos programas, softwares, para ela. Engajemos a indústria da TI, seus profissionais, tão ricos e exitosos, a nos ajudar nessa travessia.

O turismo precisa de muito mais transversalidade. Pois ele pode ser, e possivelmente e, a indústria com mais potencial para estabelecer relações, nexos, entre pessoas, comunidades, eco sistemas, naturais e urbanos, no planeta.

Esta na hora da indústria do turismo realizar uma mudança paradigmática e enxergar  seu papel primordial como  indústria para a paz.

Criemos a cadeira de Turismo para a Paz nas faculdades de turismo. Ensinando nossos estudantes a planejar estratégias e táticas para extrair o maximo do ingrediente paz dos produtos e do planejamento turísticos.

Cabe as entidades outorgantes de prêmios criar a categoria Paz.

O desafio esta lançado. O tema e planetário e esta maduro para ser abraçado. Empresas, organizações, planejadores, educadores, profissionais.  Inovem, criem, ousem. A paz agradece.

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