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Propostas para vender o País lá fora

Publicado no O Estado de S. Paulo em 28/Janeiro/2003 

O turismo é hoje um dos segmentos que mais cresce no mundo. É um grande criador de empregos, redistribui geograficamente os investimentos, fixa o homem em sua região de origem. E ainda contribui para inserir o País no contexto internacional, formando imagens a partir do juízo formado pelos próprios turistas estrangeiros.

O Brasil recebe, hoje, 4,5 milhões de turistas estrangeiros. Proponho aqui uma revisão completa da política turística promocional para o exterior, com uma série de ações que, juntas, devem elevar esse número ao patamar de 10 milhões em dez anos, crescendo a uma taxa média de 7% ao ano.

1) Plano Brasil 10 - É fundamental um plano estratégico de marketing. Como exemplos, temos o Plano Maior do Maranhão, o Plano de Paranapiacaba e o recém-criado Plano da Cidade de São Paulo.
2) Câmara Brasileira do Turismo - Tomando-se como modelo a Australian Tourism Commission, sugerimos a criação da Câmara Brasileira do Turismo, com empresários do trade, ONGs ambientais, universidades e órgãos formadores de pessoal, como Sebrae e Senac.
3) Transparência e comunicação - A Câmara Brasileira do Turismo (CBT) deve divulgar, num site próprio, a política nacional do turismo - o Plano Brasil 10 -, os diretores, com seus currículos e suas atribuições, os projetos e prazos, seus responsáveis, verbas alocadas e os resultados esperados.
4) Círculo fechado - Todas as campanhas de propaganda no exterior deveriam estar atreladas a um subseqüente atendimento individualizado ao viajante potencial.
5) Regionalização do turismo - o País deve ser dividido em regiões turísticas por motivos puramente promocionais. O Plano de Municipalização do Turismo tem que ser complementado por um Plano de Regionalização do Turismo, em que os esforços promocionais e a alocação de verbas se façam analisando o País como uma soma de territórios de características iguais. Um turista não enxerga limites e fronteiras políticas, mas, sim, divisas paisagísticas, ecossistêmicas.
6) Programa de jornalistas visitantes - O Plano Brasil 10 deve trazer ao País jornalistas internacionais para produzirem reportagens sobre nossos paraísos ecológicos - em que o único seqüestro de que se tem notícia é o de carbono.
7) Terceirização em Parques Nacionais - Deve-se concluir rapidamente os projetos de terceirização de serviços em Parques Nacionais. Hospedagem, alimentação, serviços de guia e passeios são, por natureza, atribuições típicas da iniciativa privada.
8) Fomento a hotéis de selva - O plano deve fomentar e financiar a instalação de hotéis (lodges) de selva no País. Eles são muito mais eficazes na preservação do que o Estado. Para o empresário de selva, a natureza faz parte do produto. Sem ela, não há negócio.
9) Certificação - A atividade turística necessita urgentemente de certificação. Na Costa Rica, por exemplo, os hotéis trazem afixado no lobby um certificado de comprometimento ambiental, com notas de 1 a 5, de acordo com seu grau de sustentabilidade.
10) Fixação do homem - Deve-se dar treinamento de guias a camponeses, seringueiros, índios e agricultores. Um seringueiro tem, para o ecoturista, a dignidade que não teria nas ruas de São Paulo. O índio conhecedor de plantas medicinais tem um grande valor para o ecoturista ávido por esses conhecimentos milenares.
11) Cidadania - Como subproduto do ecoturismo e do turismo sustentável vem o resgate da cidadania. Fazer brilhar novamente a chama de sermos brasileiros.
E, mais do que isso, cidadãos do mundo, de uma nova ordem global que virá em função da crescente escassez dos recursos naturais. As altas temperaturas de outubro passado não foram em vão. A Terra está febril. O turismo responsável e sustentável pode ser uma grande ferramenta rumo a uma nova equação de vida.

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