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Um sonho de vida em Maraú

E de como uma pousada e um quarteto transformaram a vida de uma comunidade

Giovanni Giuliano é professor. Não faz greve. Faz é a diferença. Aos 85 anos, completados agora em março com a vinda de toda a família e amigos, 70 pessoas, de São Paulo para Maraú.

Isney, Marcelo e Flavio, o trio, resolveram mudar de vida. E de Curitiba se mudaram para a Península de Maraú, na Bahia. Lá construíram em 1995 sua pousada. A Lagoa do Cassange. Com crença, talento e carinho. Para viver de verdade. 

Uma escola para os locais

Logo o trio percebeu que seus funcionários gastavam duas horas para ir até a escola na cidade de Maraú, e mais duas para voltar, isso quando o ônibus não atolava nos 15 km de estrada de barro, ou não havia aula, pois a lâmpada estava queimada ou o professor faltava. Os dias letivos não chegavam a 100 por ano. Isney, Marcelo e Flavio resolveram dar um jeito na situação.  E tiveram a idéia de criar uma escola em sua pousada.

Viram muito interesse dos alunos e escolheram o método do telecurso como o melhor.

Giovanni, pai de Isney, entra em cena, aos 79 anos. Ele, que ali já morava após sua aposentadoria, passou a ministrar as aulas, sendo as provas oficiais aplicadas pela secretaria de educação de Ilhéus, com o apoio logístico da pousada.

A ideia do agora quarteto era ter no máximo quatorze alunos, mas a procura foi grande e assim foram abertas duas turmas de doze.

As primeiras aulas se deram em agosto de 2004. Em dezembro de 2006 houve a primeira formatura do primeiro grau com vinte e quatro alunos. Em dezembro de 2009 formaram-se vinte alunos no segundo grau.

Os desafios para chegar a tanto foram muitos. Adequar os horários das aulas ao trabalho dos alunos, vencer a burocracia dos órgãos públicos e lidar com o analfabetismo funcional dos alunos que, mesmo nas 5ª, 6ª e 7ª séries, mal sabiam ler e escrever.  

A trajetória

Giovanni Giuliano fora professor de primeiro e segundo graus durante 49 anos em São Paulo. Dera aulas de matemática, biologia, e ciências. Após se aposentar foi morar com a Isney em Maraú e abraçou este projeto desde seu inicio.

Giuliani não corre risco de ter Alzheimer. Seus neurônios se exercitam muito. Pois ele teve, aos 79 anos, de estudar português, geografia e história, matérias com as quais não tinha intimidade, pois ali haveria de dar aulas de todas as matérias.

O que mudou na comunidade

Ter uma escola perto do trabalho e da moradia, e um professor de qualidade, fizeram com que os alunos tivessem um bom aproveitamento.

Isney dá o recado:  “Vale a pena investir na comunidade onde estamos inseridos, os benefícios são muitos, para todos.”

Ela  continua: “90% dos alunos tem um bom emprego, com carteira assinada, muitos no turismo, alguns com obras civis, e uns continuam sendo pescadores ( é bom, pois mantêm a tradição familiar).  Eles atuam como garçons, recepcionistas, marinheiros, motoristas, cozinheiros... e os quatro alunos que continuam pescadores, o fazem por opção própria... vendendo seus peixes aos empreendimentos  e ecoturistas.”

Diz ainda Isney: “Oito alunos formados trabalham conosco.  E alguns em outras pousadas. Sem dúvida nenhuma, houve uma melhora na escrita, na interpretação de texto, na compreensão, em conhecimentos gerais ....

Aumentou também a autoestima dos estudantes e de suas famílias.  E seu senso de cidadania. Eles se destacam em seus empregos, e assim conseguem promoções e aumentos nos salários. Hoje muitos querem continuar os estudos.“

Vendo esse entusiasmo o quarteto está finalizando o telecentro, quando os alunos poderão estudar a distancia em cursos técnicos e de graduação. “Nosso novo desafio”, afirma Isney. “Nunca ficarão velhos”, acrescento eu. 

Quem está fazendo a lição de casa?

- Louvável foi a  idéia de criação do Instituto Chico Mendes, para fazer a gestão dos parques nacionais no país.

- Expectativas não correspondidas - em relação ao  mesmo instituto, que ainda não mostrou para o que veio.

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