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O TAV, trem de alta velocidade São Paulo – Rio e a copa de 2012

Acabo de regressar da Espanha. Magnífica nos transportes. O metro de Madri, um prazer. As viagens de trem, uma comodidade. Estão sendo revolucionadas desde que em 1992 foi inaugurada a linha de alta velocidade entre Madri e Sevilha, coincidindo com a Expo 1992.

Desde então os trens de alta velocidade se espalharam pela Espanha. Hoje as principais cidades do país estão conectadas por essa rede, uma reinvenção da maneira de se deslocar. Os encontros de negócios se multiplicaram dentro destes trens-bala, o turismo foi e é dinamizado a cada dia e o intercâmbio de culturas entre as diversas populações regionais ganhou um aplicado promotor.

Executivos fazem suas reuniões a bordo dos ultramodernos Ave 103, que alcançam 403 km/h, enquanto turistas apreciam as paisagens de suas grandes janelas e estudantes finalizam as dissertações e trabalhos em seus computadores.

A Espanha é um país a ser cuidadosamente observado no turismo. Embora não seja propriamente um ícone em sustentabilidade na área, sua visão, planejamento e investimentos neste segmento a alçaram, em pouco mais de 20 anos, à segunda posição mundial na recepção de turistas. Um feito.

O Brasil tem uma chance histórica de reinventar seu turismo e seu transporte. O momentum é agora.
Trata-se de criar o TAV São Paulo – Rio, o trem de alta velocidade para conectar essas duas metrópoles. Propõe-se integrar definitivamente, de forma cômoda, confortável, rápida e segura, esses dois centros, levando de roldão o Vale do Paraíba.
Obviamente há que se cuidar, nos contratos, para que a obra não permita o superfaturamento e os desvios de verba tão recorrentes por estas paragens, que convertam o projeto em mais um mal afamado trem da alegria.

Comecemos agora, tendo como data marcada de inauguração a Copa de 2014.

Acompanhem-me, caros leitores, em minha jornada por esse atraente percurso e percebam os impactos e as mudanças que advirão.

Imaginem fazer negócios no Rio, ou em São Paulo, saindo de casa cedo e voltando à noite, percorrendo trajetos de duas horas cravadas de centro a centro de cidade, sem os percalços físicos e psicológicos de aeroportos e seus insuportáveis atrasos. E mais: podendo realizar cômodas e produtivas reuniões a bordo, com mesas, laptops e um confortável bar à disposição.

Será possível assistir a um show numa das capitais e voltar para casa, na outra, para dormir. Ou vir fazer compras em São Paulo e voltar na seqüência ao Rio, a tempo de preparar o jantar.

As cidades do Vale do Paraíba ganharão uma janela de oportunidades de negócios, investimentos, e turismo adicional. Os destinos de montanha, nas serras do Mar e da Mantiqueira, receberão um influxo de novos visitantes pouco imaginado anteriormente.

Para o turista estrangeiro haverá a oportunidade de incluir a outra metrópole na viagem – e ainda as atrações do Vale do Paraíba, suas estâncias de montanha e do litoral norte, onde o meio de transporte já será um atrativo por si só.

Será uma verdadeira revolução nos transportes. A suaves 300 km por hora. Sem turbulências, filas, check-ins, stress. Tornando o viajar entre esses centros um grande prazer, uma experiência de qualidade.

O comércio, a noite paulistana, sua gastronomia, receberão subitamente um grande público extra. Além de tudo o TAV funcionará como um grande palco de integração multicultural de toda a região. A história do turismo no eixo Rio São Paulo ganhará um momento de inflexão.

A mudança trará desdobramentos sequer imaginados. Como os que ocorreram na época do advento do trem na Europa, no início do século XIX. Naquele momento um certo Sr. Vuitton mudou a tampa dos baús, de curvas para planas, pelo simples fato de que seus baús, agora maletas, poderiam ser acomodados nos compartimentos dos trens. Este pequeno fato deu origem a um império da moda. O resto é história.

O TAV mudará comportamentos, assim como, no ano da Expo de Sevilha, o trem se converteu no centro de negócios mais freqüentado entre Sevilha e Madri. O que continua sendo até hoje. Se esta for uma receita a ser seguida, com alguns destes trens aqui nossos executivos multiplicarão os investimentos e negócios brasileiros pelo mundo.

Confiabilidade e no-stress é algo que o turista a negócios ou lazer mais necessita. Em Madri, 98% dos trens hoje chegam na hora. E só um em cada cem tem atraso superior a três minutos.

Com relação à questão ambiental vale lembrar que na Espanha 50% das emissões de CO² provém dos carros enquanto apenas 0,02% são devidas aos trens. O viajante de trem gasta um litro de combustível para cada 100 km, enquanto o mesmo viajante, se voasse, gastaria vinte vezes mais.

O Brasil tem agora a melhor chance de investir nesse trem e a Copa de 2014 será o momento inaugural. Milhares de paulistanos, cariocas e brasileiros, além dos estrangeiros, poderão comutar com tranqüilidade e segurança entre as duas cidades, para assistir os jogos de sua preferência.

Diferentemente dos estádios, cujos investimentos serão necessários mas não trarão efeitos residuais pós-Copa tão importantes, o investimento num projeto de trem, que contemplará ainda a tão aguardada ligação confortável e rápida entre o aeroporto de Guarulhos e o centro da cidade, é a melhor decisão que um país pode fazer no rastro de sua escolha para sediar o campeonato mundial.

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